sábado, 25 de novembro de 2017

Política Hoje - Neutralidade na Internet



   Se for um utilizador ávido da internet, provavelmente reparou que um dos grandes tópicos de discussão recentemente é a Net Neutrality (inglês para Neutralidade na Internet). ou seja, as regras que fiscalizam o acesso à internet. Mas porque é que isto é discutido agora? Gostaria de analisar este tema por fases.


    O que é a Net Neutrality?

    É a lei que assegura a imparcialidade de acesso a qualquer tipo de dados que se encontre na internet. Quer seja o Twitter, Youtube, Blogger, Wikipedia, entre outros, cada um destes sites, aplicações ou serviços são protegidos de qualquer imposição que qualquer operadora de telecomunicações imponha sobre o uso da rede dos consumidores. 

    Para fins de esclarecimento, exemplos de práticas que são proibidas por parte do seu operador de telecomunicações, segundo estas leis, são: a transformação seu serviço de internet numa "autoestrada", impondo por cada site uma comissão para que o acesso às suas páginas seja facilitado; o benefício de serviços disponibilizados pela operadora, em detrimento de outros semelhantes, podendo até bloquear o acesso à competição.

O exemplo da autoestrada em formato de imagem
Da esquerda para a direita, nas placas lê-se: "Internet sob regulação acaba aqui", "Acesso exclusivo a pagamentos especiais", "Qualquer outra pessoa".
Balão de fala das grandes empresas: 
"Funciona para mim!"

    Porque é que muitas pessoas estão interessadas agora?

   A atual discussão começou quando a entidade reguladora dos serviços de telecomunicações dos EUA (Comissão Federal de Comunicações, ou FCC na versão inglesa) realizou este ano a substituição do seu chairman por outro indicado pelo presidente Trump (passado um ano ainda custa escrever esta sequência de palavras). Este novo líder é Ajit Pai, antigo trabalhador e associado da operadora Verizon no departamento da justiça.

   Sem grandes surpresas, Ajit acende a discussão sobre a Net Neutrality ao declarar uma data para a discussão e abolição das regras em congresso. Porquê?  Supostamente, estas regras impedem que as operadoras tenham fundos suficientes para investirem nas suas infraestruturas no futuro, algo necessário uma vez que os websites têm-se tornado cada vez mais sofisticados e acabam por exigir um serviço de banda larga mais exigente.

Ajit Pai, e a sua caneca cheia de frustrações dos consumidores
     Mas supondo agora que existe esse investimento, iria ele ter esse fim? Não. As operadoras nos Estados Unidos já provaram várias vezes que são capazes de recorrer a todos os métodos que conseguirem inventar para arrecadar capital (incluindo vias atualmente ilegais), sem haver preocupação com a satisfação do consumidor. Exemplo disso foi quando a T-Mobile, em conjunto com outras operadoras, bloquearam o acesso ao serviço Google Wallet para favorecer a sua versão idêntica e com um nome deveras pior (1).

Tradução: "De acordo com a Samsung USA ou a T-Mobile ou a Google estão a impedir o funcionamento da Google Wallet no Note 2. Quanto tempo até ficar resolvido?
(T-Mobile USA) Nós apoiamos a ISIS, o serviço standard para pagamentos sem fios em dispositivos móveis :)"
Sim, o nome do serviço da T-Mobile chama-se ISIS.

Não, o nome não é inspirado no grupo terrorista e desde 2014 que foi alterado.
Sim, a conversa fora de contexto é insólita
     E para quem pensa que este tipo de práticas é impossível no mercado livre atual, não se esqueça do principal princípio que o regula: a competitividade! No caso norte americano, a maioria das zonas residenciais não têm mais do que uma operadora de telecomunicações disponível. Portanto, mesmo que não quisessem alimentar negócios desfavoráveis, não teriam outra opção senão pagar à mesma se quisessem internet, logo, são forçados a entrar no monopólio.

Exemplo do estado do Minnesota, em Junho de 2013 (2)

      Neste momento, vários consumidores e empresas como a Google e a Amazon já manifestaram publicamente o seu desagrado, e estão a planear uma manifestação a nível nacional no dia do debate em congresso (7 de dezembro), especificamente junto a revendedoras da operadora Verizon (3).

      Caso se venha a realizar a abolição das regras de neutralidade nos EUA, será uma grande derrota para a liberdade de expressão nos tempo modernos após a queda do muro de Berlim.

    E o panorama português?

      As operadoras portuguesas são apontadas como um exemplo negativo dos efeitos de um país sem uma forte política no tráfego da internet, sendo a MEO Altice considerada a pior pelos seus planos de dados móveis que favorecem o consumo de internet por telemóvel de forma privilegiada em certas aplicações a troco de um pagamento especial.

Exemplo de práticas por parte da MEO Altice conotadas como negativas com a atual legislação

      Apesar disso, a União Europeia tem reforçado as políticas relativas ao uso deste tipo de telecomunicações, sendo a mais recente vitória a abolição de taxas especiais para chamadas e consumo de dados móveis no estrangeiro dentro da Zona Euro para cidadãos europeus.

    Conclusão

    A internet, sendo uma tecnologia relativamente recente na sociedade moderna, encontra-se numa situação jurídica complicada. As conquistas feitas não se encontram garantidas, e por isso algumas comunidades internacionais são forçadas a agir para preservar os seus direitos.
   
     No entanto, é importante não desviar a atenção das verdadeiras prioridades. O que se pretende é, acima de tudo, assegurar o direito à liberdade de expressão em qualquer meio de comunicação social.



Referências no artigo:

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

O Deambular na Polis - 2

Temos medo de que os extremistas cheguem ao poder. Simplificando massivamente, tal deve-se a uma de duas coisas: ou não compreendemos a sua luta e o porquê da sua enorme afeição a determinada política, ou são exemplares das mais baixas evoluções societais ao nível do(s) indivíduo(s).
 Mas e se os extremistas já estiverem no poder, mascarados de progressistas, liberais (quer a nível económico ou a nível social), ou homens de lei?Observámos isto esta semana, quando uma mulher, vítima de violência doméstica, foi apelidada, por parte de indivíduos (incluindo uma mulher) ligados a cargos importantíssimos no sistema judicial português, de p***. Os agressores acabaram por receber penas leves (como já é hábito em Portugal) e atenuadas. Mas, porque foram atenuadas? Ora, porque a Bíblia defende que a mulher adúltera - como era o caso desta senhora - merece a pena de morte. Observa-se aqui, então, uma triste realidade: os extremistas já estão entranhados no sistema.
 Levantam-se duas questões:
 1) Poderá um livro religioso ditar o destino de "criminosos"?
 2) Qual foi a reação da sociedade perante esta demonstração de atitudes retrógradas?
 Vejamos primeiro o segundo ponto: a reação foi, no geral, negativa. Críticas chegaram de todos os lados: associações de defesa das mulheres, outras figuras de autoridade, e, interessantemente, de extremistas de um lado do espetro político tradicional, mas não do outro. Porque é isto interessante? Porque os islamofóbicos (apesar de preferirem ser chamados de "Defensores da Cultura Europeia"), que normalmente defendem a sua posição anti-imigração com o argumento de que "O Corão defende os maus tratos contra as mulheres, os infiéis, etc. ad nauseam" permaneceram quietos e calados. Porquê? Porque, desta vez, o problema se passou na tão querida pátria amada, e não num país muçulmano? Porque a Bíblia está sempre certa?
 Aproveito para recordar que uma das posições inicialmente defendidas por estes políticos de bancada era a da defesa incondicional da mulher europeia, devido a uma série de casos de violações atribuídos aos refugiados. Porquê a mudança tão drástica de posição? Não há problema, pois foi lido o livro que lhes convém, ou não lhes convém desta vez a defesa das mulheres europeias?
Quanto toca à filosofia, aproximam-se de Hipócrates, mas só em nome.
 Que esta situação sirva de aviso: os extremistas já se infiltraram no sistema. Agora, cabe ao povo decidir: somos ou não um estado laico? Ou voltaremos à Inquisição?

Blade Runner, de Ridley Scott (1982)

Acerca do visionamento e comentários dos alunos de FILOSOFIA A – leituras e reflexões retiradas dos trabalhos realizados pelos/as alunos/as:
Roy Batty
Blade Runner é um filme que pode ter uma leitura filosófica, se entendermos que a questão que lhe subjaz é a questão fundamental da Filosofia: o que é o Homem?

Perguntar «o que é o Homem?» é procurar onde reside a sua Humanidade. 
Podemos, desde logo, afastar o critério do aspeto ou aparência (os Replicantes Nexus 6 são robôs perfeitos, andróides com aspeto humano), na senda, aliás, da Filosofia clássica desde Parménides de Eleia e Platão.

Poderemos, então, encontrar esse critério na Razão, como afirmou o Racionalismo e o Idealismo? Blade Runner demonstra a insuficiência desta resposta. Os robôs da série Nexus 6, os Replicantes – principais personagens do filme, a par do seu caçador, Rick Deckard – sendo idênticos aos seres humanos ao ponto da sua identificação ser demasiado difícil e subtil, eram, no mínimo tão inteligentes quanto os engenheiros genéticos que os criaram. Foram criados para colonizar outros planetas, sendo usados como escravos em tarefas perigosas e situações de alto risco – foram, portanto, concebidos como se fossem seres humanos elevados à perfeição: mais inteligentes, mais ágeis, mais fortes, mais belos.  Após um motim violento protagonizado por um grupo de Replicantes Nexus 6, são declarados ilegais; alguns fogem para a Terra. Os Blade Runner são a polícia especial cuja missão é exterminar os Replicantes fugitivos – ‘atirar a matar’. A solução final é entregue a Deckard.


Mas o que  distingue, afinal, os Replicantes dos seres humanos? As Memórias (ou melhor, a sua ausência, uma vez que não tiveram infância). As Emoções (o seu criador não lhes teria inculcado a faculdade emocional). E a Duração (os Replicantes Nexus 6 estavam programados para uma vida útil de apenas quatro anos).

Todos estes critérios vão sendo postos em causa no decorrer do filme: as memórias ‘fictícias’ de uma infância que não tiveram mas ‘criaram’ questiona, também, a essência da Memória, desse reservatório seletivo com o qual reescrevemos grande parte do passado a partir da inteligibilidade do presente.

A memória, as emoções e os sentimentos que, afinal os Replicantes desenvolveram estão na base de uma das cenas clássicas do filme e do cinema, a morte de Roy. Depois de salvar o seu perseguidor da morte, mostrando a clemência que a ‘humanidade’ de Deckart, o caçador de androides, não logrou, Roy recorda com emoção o que viveu e assinala que essas recordações morrerão com ele, dissolver-se-ão como lágrimas na chuva.


Esta cena, de uma extraordinária beleza, interpela temas clássicos da Filosofia, como a existência de Deus e a imortalidade da alma; interpela, conjuntamente, o problema do sentido da existência, da morte e da finitude.
Será que os andróides conquistarão, também uma vida para além dos quatro anos da sua duração útil? Esta questão decorre do filme e da cena da morte de Roy – será, quiçá, a pomba que se liberta das suas mãos, como uma ‘alma’ que busca a eternidade. Não esqueçamos que, qual Zeus que vence o seu divino pai, Cronos, Roy assassinara com as suas mãos potentes, Tyrell, o criador dos Replicantes que se negara a aumentar-lhes o tempo de vida. A morte de Deus.



O que é o ser humano? Qual o caminho da humanidade, senão, dirão os existencialistas, a infinita angústia da consciência da finitude? Agora, mais abandonado, num universo onde ‘Deus está morto’?  Esta é a essência do ‘ser homem’, a busca transcendente que, no filme, é empreendida pelos andróides, mais humanos do que os humanos: são eles que questionam o sentido da finitude, são eles que procuram Deus como resposta possível – e não a encontram. Assim, a morte de Roy é a morte de um homem sem deus, é, de certa forma, a morte de deus afirmada numa atmosfera cinzenta, chuvosa e niilista, sob o céu de uma inclemente Los Angels, algures no futuro representado no ano de 2019. 


FICHA TÉCNICA:

Título original - Blade Runner
Ano - 1982
Duração - 117 min.
País: Estados Unidos
Diretor: Ridley Scott
Guião: David Webb Peoples, Hampton Fancher (Novela: Philip K. Dick)
Música: Vangelis
Fotografía: Jordan Cronenweth
Elenco de atores: Harrison Ford, Rutger Hauer, Sean Young, Daryl Hannah, Edward James Olmos, Joanna Cassidy, Brion James, Joe Turkel, M. Emmet Walsh, William Sanderson, James Hong, Morgan Paull, Hy Pyke
Produtora: Warner Bros. / Ladd Company / Shaw Brothers

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O Deambular na Polis - 1

Serão as teses antigas ainda úteis? Serão mutáveis?
O problema que colocarei hoje em cima da mesa de operação, para ser dilacerado e tão profundamente cortado quanto possível, envolve uma das minhas "filosofias" preferidas: o Estoicismo.
Ora, os estoicos eram árduos defensores de que nunca deveriamos tratar os que nos trataram incorretamente da mesma maneira; ou seja, não só não pagar na mesma moeda, como nem um único cêntimo dar de volta aquele/a vagabundo/a que nos maltratou.
Um exemplo dado é o de uma simples pergunta: Faria sentido morder um cão caso este nos mordesse, dar um pontapé numa mula na eventualidade de esta nos dar um coice, etc.?
Ora, aqui encontramos um problema na prática estóica, que, na verdade, não é um problema mais do que uma simples característica desta doutrina filosófica: aceitar a natureza, e, igualmente importante, mudar o que se consegue mudar, e o que não se consegue mudar aceitar.
Os mais famosos filósofos argumentavam também que a fúria se mantinha na nossa alma mais tempo do que o ódio.
Logo, voltando à pergunta: posso eu pagar na mesma moeda?
Ora, não podemos aqui criar um falso dilema. Cada situação terá a sua maneira de ser interpretada, o que também variará de indivíduo para indivíduo.
Se aceitarmos esta doutrina a cem por cento, não teremos, na condição de sermos completos mestres de nossos corpos e almas, mais infelicidades, mágoas, etc., porém, estamos também a deixar com que nos aconteçam eventos da mais baixa ralé, e não podemos reagir de qualquer maneira.
Passando de uma das minhas bases para outra, vejamos Hegel, que, se não me engano, afirmou que as doutrinas antigas em nada se aproximavam às doutrinas da sua altura, pois os problemas do Homem evoluiram.
Aqui está o fundamento para a ressurreição do Estoicismo como força de auto-ajuda e de bem-estar geral. Pois, como disse o meu tão estimado Karl Marx nas suas "Teses sobre Feuerbach": "Os filósofos até hoje focaram-se apenas em analisar o mundo de diferentes maneiras; o objetivo é mudá-lo.".
Por estas razões, na minha opinião, a primeira coisa que um estóico do século XXI tem de aceitar é a mutação inerente que a sua doutrina sofreu, sofre, e sofrerá ao longo dos tempos; quer seja para melhor ou para pior no momento imediato, mas sempre confiante que o magnífico pêndulo da história se movimenta para o bem. Por isto, as antigas teses filosóficas são de extrema importância, desde que sofram mutações ao longo do tempo, com o objetivo de as aperfeiçoar e de as adaptar às condições do presente.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Política Hoje: Venezuela de Maduro

   Nos últimos anos, a Venezuela tem passado por uma crise política que se tem agravado ao longo do tempo, tendo eclodido no que se vê agora frequentemente nos jornais: uma guerra civil entre chavistas e manifestantes, sendo cada vez mais evidente a falta de recursos básicos essenciais para cumprir a constituição universal dos direitos humanos. Mas, para muitos, isto não é novidade. 

O início do fim da democracia na Venezuela

   Porque é que só agora é que os media nos estão a "bombardear" com esta informação? Comecemos pelas perguntas mais estruturantes.

  • O que se passa na Venezuela?
   Durante o mês de março deste ano, o Supremo Tribunal de Justiça venezuelano (órgão em que o painel de juízes é dominado por apoiantes leais a Maduro) anunciou a transferência dos poderes da Assembleia Nacional (ou Parlamento, segundo os termos portugueses) para si, sabendo que no Parlamento, a oposição a Maduro detém a maioria. Esta decisão foi revertida perante a manifestação interna e externa ao país, apesar de não ter sido o suficiente para acalmar os protestos.
    Este momento tornou explícita a intenção do Governo da Venezuela de se tornar numa ditadura.

Supremo Tribunal de Justiça venezuelano

   Pouco tempo depois, no início de maio, Nicolás Maduro anunciou o seu intento de criar um órgão que iria ajudar a reescrever a constituição em vigor, sendo atribuído a este órgão poderes previamente exclusivos ao Parlamento. Por outras palavras, pretendia-se criar um parlamento em paralelo com o existente, só que a favor de Maduro e mais poderoso que o em vigor. Os seus membros foram escolhidos no passado dia 30 de julho, e, como previsto, foram declaradas várias falhas no sistema eleitoral que indicaram para uma fraude na eleição realizada, o que estabeleceu a soberania de Maduro.

"Uma Assembleia Constituinte, eleita em condições duvidosas e com frequentes circunstâncias violentas não pode ser parte da solução. (A Assembleia eleita) aumentou a divisão e deslegitimará mais as instituições eleitas democraticamente na Venezuela", declarações da porta-voz da Comissão Europeia, Mina Andreeva, após as eleições na Venezuela
    A saída do Governo venezuelano da Organização de Estados Americanos (OEA) em abril deste ano, duas grandes greves gerais convocadas pela oposição, várias manifestações nas ruas da capital, referendos simbólicos organizados pela oposição realizados como manifestação do desagrado do povo venezuelano e alterações no Supremo Tribunal de Justiça, tudo isto levou ao "rebentar da bolha" que hoje vemos nos telejornais pelo mundo.

  • Porque é que se está a forçar a revisão da Constituição?
   Segundo o Presidente Maduro, esta revisão permitirá que o Presidente possa impedir os golpes de Estado que o grupo "fascista" venezuelano (traduzido, a oposição) intente, podendo desse modo impor "a paz, a harmonia e um verdadeiro diálogo nacional”. Para além disso, acredita que pode ajudar o país a sair da grave crise económica em que se encontra, provocada pela descida de valor do petróleo nos mercados internacionais.


Paz e amor?
  • Quem é a oposição de Maduro?
   A coligação Mesa para a União Democrática (MUD), formada pelos principais partidos da oposição ao Governo em vigor. Estes manifestam-se contra a tentativa de Maduro perpetuar a sua estadia no poder, acabar com a distribuição de poderes e legitimar a perseguição daqueles que se opõem ao regime. Por outras palavras, opõem-se à criação do "Estado Novo 2.0",versão venezuelana, como já tinha sido evidenciado anteriormente.


  • O que se pode esperar nos próximos dias?
   Por agora, os ânimos dos media devem resfriar. Já foi "posto em cima da mesa" a hipótese de intervenção militar pelos EUA para resolver a crise no país, mas nesta passada segunda-feira, países como a China e o Uruguai recusaram a hipótese.

Se substituíssem os intervenientes por Bush e Saddam Hussein,
diria que estava a ler a mesma história

   Para além disso, no aeroporto da Madeira continuam a chegar dezenas de emigrantes todos os dias, sendo o espanhol uma segunda língua na ilha até se "estabelecer a poeira levantada".

   Na minha opinião, espero que se encontra uma resolução rápida que não recorra a intervenções militares. No entanto, caso se alcance esse nível de desespero, evitar uma conclusão como teve o regime de Saddam Hussein deverá ser uma prioridade.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

A Europa dos Cafés


« A Europa é feita de cafetarias, de cafés. Estes vão da cafetaria preferida de Pessoa, em Lisboa, aos cafés de Odessa frequentados pelos gangsters de Isaac Babel. Vão dos cafés de Copenhaga, onde Kierkegaard passava nos seus passeios concentrados, aos balcões de Palermo. Não há cafés antigos ou definidores em Moscovo, que já é um subúrbio da Ásia. Poucos em Inglaterra, após um breve período em que estiveram na moda, no século XVIII. Nenhuns na América do Norte, para lá do posto avançado galicano de Nova Orleães. Desenhe-se o mapa das cafetarias e obter-se-á um dos marcadores essenciais da 'ideia de Europa'.
O café é um local de entrevistas e conspirações, de debates intelectuais e mexericos, para o flâneur e o poeta ou metafísico debruçado sobre o bloco de apontamentos. Aberto a todos, é todavia um clube, uma franco-maçonaria de reco
nhecimento político ou artístico-literário e presença pragmática. Uma chávena de café, um copo de vinho, um chá com rum assegura um local onde trabalhar, sonhar, jogar xadrez ou simplesmente permanecer aquecido durantetodo o dia. É o clube dos espirituosos e a poste-restante dos sem-abrigo. Na Milão de Stendhal, na Veneza de Casanova, na Paris de Baudelaire, o café albergava o que existia de oposição política, de liberalismo clandestino. Três cafés principais da Viena imperial e entre as guerras forneceram a agora, o locus da eloquência e da rivalidade, a escolas adversárias de estética e economia política, de psicanálise e filosofia. Quem desejasse conhecer Freud ou Karl Kraus, Musil ou Carnap, sabia precisamente em que café procurar, a que Stammtish tomar lugar.»

George Steiner, A Ideia de Europa

sábado, 8 de julho de 2017

Filofofocas Edição Nº2: Problemas de relacionamento

Página 5

 Se tem problemas de relacionamento, reunimos aqui três dicas para o ajudar a ultrapassar estes tempos difíceis com o seu parceiro!

Hegel

 Hegel ensina-nos através da sua Dialética que, quando nos encontramos num mau lugar, virão aí tempos melhores. Mas como funciona esta Dialética? Trata-se de um programa de três passos, que consiste na Afirmação, Negação, e na Negação da negação
 Um exemplo, com base histórica, é o seguinte:
Hegel
  • Afirmação: Atenas possuía uma grande quantidade de liberdades civis, porém, pouca organização militar;
  • Negação: Atenas eventualmente caiu nas mãos dos Persas, que tinham poucas liberdades civis, mas muita organização militar;
  • Negação da negação: De seguida, Roma emergiu, com um melhor balanço entre liberdades civis e organização militar.
 Podemos observar assim, que, para Hegel, o mundo avança sempre rumo ao melhor caminho, ao caminho com o melhor balanço de tudo o que é necessário, tal como a sua relação! Hoje pode estar num dia mau, mas amanhã irá encontrar a melhor conjugação de todos os fatores envolvidos nesta! (Aproveite esta oportunidade para ler com o seu parceiro A Fenomenologia do Espírito! Se o seu parceiro não compreender, ele não o merece.)

Sócrates

Sócrates

 Lembra-se de lhe terem ensinado a respeitar e não ser muito apegado ao seu parceiro? Sócrates discordaria! O famoso "moscardo de Atenas" debatia filosofia com toda a gente que passava, especialmente os Sofistas, tão odiados por ele.
 Por isso, afirme-se, e fale com o seu parceiro. Pergunte-lhe o que se passa, e, momentos depois, tente discutir um pouco de filosofia.
 Não se preocupe! A cicuta já não é proeminente!

Marx

Marx
 Derrube o capitalismo com o seu parceiro! Levante-se e mexa-se, sinta as suas correntes, que o prendem ao chão! Abaixo com a burguesia e a sua escravatura moderna! Proletários do mundo, uni-vos!

 

 

Astrologia

Com: Pitágoras

Pitágoras
 Os planetas descreveram órbitas puramente geométricas, calculadas, obviamente, através da razão de dois números inteiros. Tal é prova conclusiva que você, querido leitor, devia juntar-se ao meu culto à minha escola!





















Bibliografia:
http://cliparting.com/wp-content/uploads/2017/02/Explosion-clip-art-tumundografico-4.png (02-03-17)
http://cdn.shopify.com/s/files/1/1061/1924/products/Broken_Red_Heart_Emoji_grande.png?v=1480481034 (08-07-17)
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/08/Hegel_portrait_by_Schlesinger_1831.jpg (08-07-17)
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/68/Vatsoc.jpg/150px-Vatsoc.jpg (08-07-17)
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